A América Latina hoje e o que a espera amanhã em relação à tecnologia

Importante região do ponto de vista econômico, a América Latina (que engloba desde o México até a América do Sul) não recebe o mesmo reconhecimento quando o assunto é inovação, ciências e tecnologia. Na grande maioria dos casos, os países latino-americanos são periféricos no desenvolvimento de pesquisa e no uso de novas soluções tecnológicas – primeiro, elas se consolidam nos mercados norte-americano, europeu e asiático antes de serem adotadas por aqui. A questão é que, nos próximos anos, a região deve, finalmente, expandir sua participação nesse mercado e, pelo menos, diminuir a distância em relação aos grandes centros globais.  

Tradicionalmente, a América Latina sempre foi vista como produtora de matéria-prima por conta da abundância de seus recursos naturais. Em contrapartida, essa posição no cenário econômico externo faz com que a região não seja um polo de conhecimento científico e tecnológico. Portanto, não há espaço para a inovação e o desenvolvimento de soluções. Por aqui, o apoio à pesquisa e desenvolvimento científico ainda engatinha, a disputa política ainda predomina a região e tampouco há estratégias a longo prazo neste setor. 

A questão é que não há mais tolerância para o atraso no atual cenário em que vivemos. Relatório da consultoria Gartner estima que o mercado de SaaS (software como serviço) deve movimentar US$ 113,1 bilhões em 2021, crescimento de 32,9% nesses dois anos – é, de longe, o maior segmento da computação em nuvem. Ainda que países da América do Norte, Europa e Ásia liderem grande parte desse investimento, espera-se um mercado altamente aquecido na América Latina por conta do espaço de crescimento, estimativas mostram que apenas 16% á 25% das empresas utilizam sistemas na nuvem. 

Entretanto, é necessário reconhecer que esse cenário traz novas dificuldades. Para extrair inteligência dessas ferramentas, é necessário integrá-las de forma rápida e eficiente. Caso contrário, as empresas ficarão reféns de soluções que resolvem apenas parte do problema. Não se trata de dez ou vinte sistemas, mas de centenas que entregam dados parciais. Apenas com plataformas de integração será possível ter uma visão geral e completa de todo o planejamento. 

Além disso, diversos estudos de mercado mostram que alinhar um desenvolvimento em grandes ambientes corporativos ainda provoca reações desproporcionais, como disputas territoriais, brigas políticas, falta de orçamento, estratégia ou visão correta da empresa e até mesmo a incapacidade de agir em sinais cruciais de evolução tecnológica. São barreiras que precisam ser superadas por quem deseja inovar e se preparar para as próximas tendências tecnológicas. 

As empresas latino-americanas ainda estão pagando o preço por crises econômicas, instabilidade política e falta de visão estratégica nos negócios. O mundo mudou bastante nas últimas três décadas. Investir em tecnologia de ponta e inovação não é mais um diferencial comercial para determinado país ou região, mas questão de sobrevivência frente aos novos desafios que surgem todos os anos. A próxima década tem tudo para ser o ponto de virada para a América Latina, inserindo suas companhias de vez no concorrido mercado global tecnológico. 

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